A modernização do crédito para o agronegócio brasileiro foi tema de reunião do Cosag

Representantes do mercado financeiro, do Governo Federal e de entidades participaram na última segunda-feira (7/10) da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que a Aciub é representada pelo vice-presidente, Sérgio Tannus. O tema do encontro foi a modernização do acesso ao crédito como fator para o desenvolvimento do agronegócio.

O secretário adjunto de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Angelo Mazzilo Junior, participou da reunião e logo no início destacou um fator relevante para o setor, que é a necessidade de mais recursos e menos custos para os produtores, além da redução na burocracia de contratações, a segurança jurídica e estrutura de mercado, que possibilitem quantificar o risco de crédito, com histórico de dados dos produtos. Ele destacou o papel da Medida Provisória n. 897 neste sentido. “Essa MP coloca na agenda referência cambial, referência da CPR e taxa de juros. Ela empodera o produtor. Como resultado, taxas mais baratas e acessíveis do que as praticadas hoje. É uma oportunidade para dar competitividade ao mercado. Nossa visão de futuro é a CPR podendo ser contratada por aplicativo no celular”, avaliou ao ressaltar que será preciso fazer emendas à nova MP para possibilitar a variação cambial para todos os títulos e produtos sem exceção.

A questão do crédito privado foi tratada pelo presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, que lembrou que a cadeia do agronegócio vai muito além do fluxo financeiro. “Caso contrário, não há a menor chance de operar de maneira competitiva.  Os bancos e as suas estruturas de modelos de riscos precisam entender que a safra é o que estabelece fluxo de caixa; não é o vencimento que o banco determina que o pagamento precisa ser feito”, afirmou. Para ele as instituições financeiras têm a obrigação de ser agentes de mudança da estrutura de pagamentos do agronegócio, oferecendo produtividade e velocidade. “Temos que desmaterializar essa parafernália de documentos que mantém um exército de pessoas, de complexidades que só geram custos. O mercado funciona quando existe o menor nível de assimetria de informações”.

O sócio fundador da consultoria MB Associados, José Mendonça de Barros, fez uma análise de cenário ao apontar desaceleração da economia mundial, com destaque para a guerra comercial da China e Estados Unidos, e em relação ao Brasil destacou as reformas. “Nossa previsão de PIB para este ano é de 0,9% e de 1,6% para 2020. Mas é preciso investimento em infraestrutura, senão não há melhora no mercado de trabalho e, consequentemente, da volta do mercado de consumo. Além disso, não vamos voltar a crescer se o crédito não ficar mais barato, democrático e acessível”, observou.

No fechamento do encontro o presidente do Brasil Bolsa Balcão (B3), Gilson Finkelsztain, deu ênfase ao desenvolvimento do mercado de capitais e como os juros baixos têm sido colaborativos para o seu avanço. “Desde 2016, os juros vêm caindo e, neste período, a Bolsa passou de 40 mil para 105 mil. Isso mostra só o início do que está acontecendo e vai acontecer no mercado de capitais, com a previsibilidade de que os juros continuem baixos”, observou, ao lembrar que no Brasil, a média dos valores de IPO ou follow está perto de US$ 6 milhões, enquanto a média global é de US$ 140 milhões. “A emissão de ações no mercado de capitais se tornará frequente por empresas médias. No Brasil, havia não um problema de oferta, mas de demanda. O investidor, com juros de 14% ao ano, tinha dúvida se aplicava em fundo, ficando assim sem estímulo para correr risco de crédito, muito menos risco de ações. Vemos que agora está faltando ativos”, concluiu Finkelsztain.

Para Sérgio Tannus, vice-presidente da Aciub, o tema da reunião tem toda relação com a região e foi trazer uma visão mais macro do cenário nacional. “Aqui na nossa região o agronegócio tem grande relevância e a participação da Aciub nesta reunião possibilita ampliar nossas visões para compartilhar com quem faz a diferença atuando no campo. Trazemos versões e visões do poder público e iniciativa privada em relação ao acesso ao crédito para o agronegócio”, destacou Sérgio Tannus.

Foto: Karim Kahn – Fiesp
Fonte: Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp.